31 de março de 2010


Passeata a favor das Pererecas Peludas


Sempre gostei de Martha Medeiros.Seus textos sobre cotidiano feminino, sobre relacionamentos, vem com pitadas de humor e inteligência e logo atrai leitores fiéis.Vocês vão ver muito por aqui, textos desta fabulosa escritora.E como não posso deixar passar a oportunidade, apresento para aqueles que não leram ainda ou para aqueles que leram e precisam ler novamente, mais um das suas magnificas crônicas, cheias de humor e exploração do universo grandioso feminino.
Boa leitura e divirtam-se.

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Depilação Feminina


Foi assim que decidi, por livre e espontânea pressão de amigas, me render à depilação na virilha. Falaram que eu ia me sentir dez quilos mais leve. Mas acho que pentelho não pesa tanto assim. Disseram que meu namorado ia amar, que eu nunca mais ia querer outra coisa. Eu imaginava que ia doer, porque elas ao menos me avisaram que isso aconteceria. Mas não esperava que por trás disso, e bota por trás nisso, havia toda uma indústria pornô-ginecológica-estética.

- Oi, queria marcar depilação com a Penélope. - Vai depilar o quê? Normal ou cavada?
Parei aí. Eu lá sabia o que seria uma virilha cavada. Mas já que era pra fazer, quis fazer direito.
- Amanhã, às...Deixa eu ver...13h?
- Ok. Marcado.

Chegou o dia em que perderia dez quilos. Almocei coisas leves, porque sabia lá o que me esperava, coloquei roupas bonitas, assim, pra ficar chique. Escolhi uma calcinha apresentável. E lá fui. Assim que cheguei, Penélope estava esperando. Moça alta, mulata, bonitona. Oba, vou ficar que nem ela, legal. Pediu que eu a seguisse até local onde o ritual seria realizado.

Saímos da sala de espera e logo entrei num longo corredor. De um lado a parede e do outro, várias cortinas brancas. Por trás delas ouvia gemidos, gritos, conversas. Uma mistura de "Calígula" com "O Albergue". Já senti um frio na barriga ali mesmo, sem desabotoar nem um botão.

Quando começou a seessão juro que cheguei a pensar em ligar para o Samu. Tudo isso buscando me concentrar em minha expressão, para fingir que era tudo supernatural.

Penélope perguntou se estava tudo bem quando me notou roxa. Eu havia esquecido de respirar. Tinha medo de que doesse mais. Tudo ótimo. E você?

Ela riu de novo como quem pensa "que garota estranha". Mas deve ter aprendido a ser simpática para manter clientes. O processo medieval continuou. A cada puxada eu tinha vontade de espancar Penélope. Lembrava de minhas amigas recomendando a depilação e imaginava que era tudo uma grande sacanagem, só pra me fazer sofrer.

Todas recomendam a todos porque se cansam de sofrer sozinhas. Quer que tire dos lábios? Não, eu quero só virilha, bigode não. Não, querida, os lábios dela aqui ó. Não, não, pára tudo. Depilar os tais grandes lábios? Putz, que idéia. Mas topei. Quem está na maca tem que se f... mesmo. Ah, arranca aí. Faz isso valer a pena, por favor. Não bastasse minha condição, a depiladora do lado invade o cafofinho de Penélope e dá uma conferida na Abigail.
- Olha, tá ficando linda essa depilação.
- Menina, mas tá cheio de encravado aqui. Olha de perto. Se tivesse sobrado algum pentelhinho, ele teria balançado com a respiração das duas. Estavam bem perto dali. Cerrei os olhos e pedi que fosse um pesadelo. "Me leva daqui, Deus, me teletransporta". Só voltei à terra quando entre uns blábláblás ouvi a palavra pinça. Vou dar uma pinçada aqui porque ficaram um pelinhos, tá? Pode pinçar, tá tudo dormente mesmo, tô sentindo nada.

Estava enganada. Senti cada picadinha daquela pinça filha da mãe arrancar cabelinhos resistentes da pele já dolorida. E quis matá-la. Mas mal sabia que o motivo para isso ainda estava por vir. Vamos ficar de lado agora?
- Hein? Deitar de lado pra fazer a parte cavada. Pior não podia ficar. Obedeci à Penélope. Deitei de ladinho e fiquei esperando novas ordens. Segura sua bunda aqui.
- Hein? Essa banda aqui de cima, puxa ela pra afastar da outra banda. Tive vontade de chorar. Eu não podia ver o que Pê via. Mas ela estava de cara para ele, o olho que nada vê. Quantos haviam visto, à luz do dia, aquela cena? Nem minha ginecologista. Quis chorar, gritar, peidar na cara dela, como se pudesse envenená-la. Fiquei pensando nela acordando à noite com um pesadelo. O marido perguntaria: Tudo bem,Pê? - Sim...Sonhei de novo com o c. de uma cliente. Mas de repente fui novamente trazida para a realidade. Senti o aconchego falso da cera quente besuntando meu Twin Peaks. Não sabia se ficava com mais medo da puxada ou com vergonha da situação. Sei que ela deve ver mil c.. por dia. Aliás, isso até alivia minha situação. Por que ela lembraria justamente do meu entre tantos? E aí me veio o pensamento: Peraí, mas tem cabelo lá? Fui impedida de desfiar o questionamento. Pê puxou a cera. Achei que a bunda tivesse ido toda embora. Num puxão só, Pê arrancou qualquer coisa que tivesse ali. Com certeza não havia nem uma preguinha pra contar a história mais. Mordia o travesseiro e grunhia ao mesmo tempo. Sons guturais, xingamentos, preces, tudo junto. Vira agora do outro lado. Porra, por que não arrancou tudo de uma vez? Virei e segurei novamente a bandinha.

E então, piora. A broaca da salinha do lado novamente abre a cortina. Penélope, empresta um chumaço de algodão? Apenas uma lágrima solitária escorreu de meus olhos. Era dor demais, vergonha demais. Aquilo não fazia sentido. Estava me depilando pra quem? Ninguém ia ver o tobinha tão de perto daquele jeito. Só mesmo Penélope. E agora a vizinha inconveniente. Terminamos. Pode virar que vou passar maquininha. Máquina de quê?! Pra deixar ela com o pêlo baixinho, que nem campo de futebol.
- Dói?
- Dói nada. Tá, passa essa coisa ai. Baixa a calcinha, por favor. Foram dois segundos de choque extremo. Baixe a calcinha, como alguém fala isso sem antes pegar no peitinho? Mas o choque foi substituído por uma total redenção. Ela viu tudo, da perereca ao fiofó. O que seria baixar a calcinha? E essa parte não doeu mesmo, foi até bem agradável.
- Prontinha. Posso passar um talco?
- Pode, vai lá, deixa a bicha grisalha. Tá linda! Pode namorar muito agora. Namorar...namorar... eu estava com sede de vingança. Admito que o resultado é bonito, lisinho, sedoso. Mas doía e incomodava demais. Queria matar minhas amigas. Queria virar feminista, morrer peluda, protestar contra isso. Queria fazer passeatas, criar uma lei antidepilação cavada. Mas me rendi! Depois que tudo passa, depois que sai o vermelho e o inchaço, fica que é um beleza! Aí me veio a dúvida: Puta merda, qual será o tempo de duração?


(Sempre achei que esse texto fosse da Martha Medeiros, pois uma adoradora da mesma, de um outro blog, tinha me dito que foi ela que tnha escrito. E assim, postei e dei os créditos para ela. Mas como fui avisada hoje por uma leitora do blog que o texto tinha outra autoria, então é meu dever tirar os créditos do texto. Mas não vou colocar como sendo do blog mencionado, porque sei que na internet sempre há essas inversões de autores e textos e nunca se acha quem é o verdadeiro dono. Vou por o marcador Outros para não ter enganos futuros...rs.)
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3 comentários:

Zeus disse...

Me perdoe pelo sumisso e pela demora em vir "fazer uma visita" e conhecer o seu mais novo cantinho minha linda e idolatrada amiga dani,mas realmente estou sem tempo para o virtual,ao menos por enquanto,né?rsss
Quero que saiba que é um prazer em tê-la como minha mais nova seguidora e é claro,sempre que puder estarei aqui,acompanhando suas matérias e desfrutando de sua companhia.

Te deixo um beijão no core e votos de felicidades...sempre!!

Zeus disse...

Esse texto é simplesmente fantástico.
Seu blog tá uma beleza. Depois volto.
bjos.

Letícia G. Cruz disse...

Olá amiga, seu blog esta lindo, mas eu axo que a fonte deste seu texto esta errada viu.
Pois que escreveu este texto foi a Elisa e a Valéria do Blog redatoras de merda, qd puder dá uma olhadinha lá hehe. Chama-se tortura moderna

http://redatorasdemerda.blogspot.com/2007/05/torturas-modernas.html

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