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26 de julho de 2011


Ela não é diferente ou louca.
Ela apenas esta fazendo o que quase ninguém faz hoje em dia:
            --->sendo ela mesmo e sendo feliz.<---
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7 de junho de 2011


Dormir de conchinha


Fazer sexo não é um privilégio nosso, qualquer animal transa. É instintivo. Dormir de conchinha é uma característica específica humana. Ok, você terminou a noite com o cara mais lindo da balada, ele era muito bom de cama. Até aí você está achando que ganhou na mega-sena sozinha e acumulada. Quando acabou a performance do seu Apolo, o moço simplesmente virou para o lado oposto ao seu e cochilou. Ou pior, perguntou se foi bom pra você.
Você namora há algum tempo, o sexo é bom embora não seja mais repleto de novidades. Vocês combinam, se entendem, têm carinho um pelo outro. O antes é ótimo, o durante é realmente muito bom mas o depois deixa a desejar. Vocês não conseguem dormir de conchinha. Você acorda com torcicolo, o braço dele formiga. Não é falta  de amor, é incompatibilidade anatômica mesmo.
Eis que um belo dia ou uma bela noite você fisga um cara interessante encostado na bancada dum certo bar que toca as músicas da sua adolescência. Acha ele charmoso, a atração é mútua e você, que não é mais uma menininha resolve ir para a casa dele. Pronto, momento perfeito, esqueça os tabus! Você se surpreende com o antes, absolutamente incrível para a pouca intimidade que vocês têm. O durante, bem , o durante não é necessário comentar. Ele tem não apenas aqueles olhos de gato mas um fôlego felino. Depois de alguns orgasmos você já está exausta e não espera mais nada da “descoberta do ano”.
É neste ponto que ele a surpreende mais uma vez. Existe um depois. Sim, ele tem o sorriso mais lindo do universo, um cheiro irresistível no cabelo encaracolado e na pele absolutamente alva, a carne branca te lembrando pêssegos. Ele vai se chegando por trás e manuseia seu corpo como poucas vezes o fora. Quebra a maior de suas resistências, a sua mais alta barreira: sim, ele dorme de conchinha com você.
Logo você que acordava com a coluna parecendo um 8 quando seu namorado tentava envolvê-la neste ato romântico. Alguma coisa está errada, você pensa. É simplesmente uma transa casual, você não tem a mínima intenção de se apaixonar entretanto começa a se perguntar onde ele estava até agora. Ops, hora de retroceder. Entoa mantras como: “mulher inteligente pega e não se apega” . Mas logo está repassando a noite anterior -maldita conchinha, pensa.
E poderia ser o jeito que passa o braço em cima de você quando estão no cinema. Dormir de conchinha é uma daquelas pequenas humanidades que não me canso de citar. As coisas que tornam alguém único e insubstituível, como o jeito que ele mexe no cabelo ou ajeita os óculos. Aquela carinha que faz quando vai olhar algo distante. Ou o jeito carinhoso que só ele te chama. É o que faz com que nos apaixonemos ou não por alguém. O ponto crucial que faz você querer ele e não outro, o critério de desempate.
 Sobre o cara que dormia de conchinha? –ela não se apaixonou por ele. Também não o esqueceu. Nisso, ele se tornou único…e no cheiro de Xampu.

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16 de março de 2011


Diferentes formas de ver a Amizade em textos e poesias

A Lista 

Faça uma lista de grandes amigos,                                          
quem você mais via há dez anos atrás...
Quantos você ainda vê todo dia ?
Quantos você já não encontra mais?
Faça uma lista dos sonhos que tinha...
Quantos você desistiu de sonhar?
Quantos amores jurados pra sempre...
Quantos você conseguiu preservar?
Onde você ainda se reconhece,
na foto passada ou no espelho de agora?
Hoje é do jeito que achou que seria?
Quantos amigos você jogou fora...
Quantos mistérios que você sondava,
quantos você conseguiu entender?
Quantos defeitos sanados com o tempo,
era o melhor que havia em você?
Quantas mentiras você condenava,
quantas você teve que cometer ?
Quantas canções que você não cantava,
hoje assobia pra sobreviver ...
Quantos segredos que você guardava,
hoje são bobos ninguém quer saber ...
Quantas pessoas que você amava,
hoje acredita que amam você? 



(Oswaldo Montenegro)



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A verdadeira amizade é aquela que nos permite falar, ao amigo, de todos os seus defeitos e de todas as nossas qualidades.
(Millôr Fernandes)

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Não é amigo aquele que alardeia a amizade: é traficante; a amizade sente-se, não se diz.(Machado de Assis)
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Para conhecermos os amigos é necessário passar pelo sucesso e pela desgraça. No sucesso, verificamos a quantidade e, na desgraça, a qualidade. ( Confúcio)
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DA DISCRIÇÃO
Não te abras com teu amigo
Que ele um outro amigo tem.
E o amigo do teu amigo
Possui amigos também...
(Mario Quintana)
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A IMPORTÂNCIA DA AMIZADE




    Um dia, durante uma conversa entre advogados, me fizeram uma pergunta:

    - O que de mais importante você já fez na sua vida?

    A resposta me veio a mente na hora, mas não foi a que respondi pois as
circunstâncias não eram apropriadas.
    No papel de advogado da indústria do espetáculo, sabia que os assistentes queriam escutar anedotas sobre meu trabalho com as celebridades. Mas aqui vai a verdadeira, que surgiu das profundezas das minhas recordações:

    O mais importante que já fiz na minha vida, ocorreu em 08 de outubro de 1990. Comecei o dia jogando golfe com um ex-colega e amigo meu que há muito não o via. Entre uma jogada e outra, conversávamos a respeito do  que acontecia na vida de cada um. Ele me contava que sua esposa e ele acabavam de ter um bebê. Enquanto  jogávamos chegou o pai do meu amigo que, consternado, lhe diz que seu bebê parou de respirar e que foi levado para o hospital com urgência.

    No mesmo  instante, meu amigo subiu no carro de seu pai e se foi. Por um momento fiquei onde estava, sem pensar nem mover-me, mas logo tratei de pensar no que deveria fazer:

    - Seguir meu amigo ao hospital ? Minha presença, disse a mim mesmo, não serviria de nada pois a criança certamente está sob cuidados de médicos, enfermeiras, e nada havia que eu pudesse fazer para mudar a situação.


    - Oferecer meu apoio moral? Talvez, mas  tanto ele quanto sua esposa
vinham de famílias numerosas e sem dúvida estariam rodeados de amigos e familiares que lhes ofereceriam apoio e conforto necessários, acontecesse o que acontecesse. A única coisa que eu faria indo até lá, era atrapalhar.

    Decidi que mais tarde iria ver o meu amigo. Quando dei a partida no meu
carro, percebi que o meu amigo havia  deixado o seu carro aberto com as
chaves na ignição, estacionado junto as quadras de tênis. Decidi, então,
fechar o carro e ir até o hospital entregar-lhe as chaves.

    Como imaginei, a sala de espera estava repleta de familiares que os
consolavam. Entrei  sem fazer ruído e fiquei junto a porta pensando o que
deveria fazer. Não demorou muito e surgiu um médico que aproximou-se do casal e em voz baixa, comunica o falecimento do bebê.

    Durante os instantes que ficaram abraçados - a mim pareceu uma eternidade- choravam enquanto todos os demais ficaram ao redor daquele
silêncio de dor. O médico lhes perguntou se desejariam ficar alguns instantes com a criança. Meus amigos ficaram de pé e caminharam resignadamente até a porta.

    Ao ver-me ali, aquela mãe me abraçou e começou a chorar. Também meu  amigo se refugiou em meus braços e me disse:

    - Muito obrigado por estar aqui !

    Durante o resto da manhã fiquei sentado na sala de emergências do hospital, vendo meu amigo e sua esposa segurar nos braços seu bebê, despedindo-se dele. Isso foi o mais importante que já fiz na minha vida.

    Aquela experiência me deixou três lições:

    Primeira: o mais importante que fiz na vida, ocorreu quando não havia
absolutamente nada, nada que eu pudesse fazer. Nada daquilo que aprendi na universidade, nem nos anos em que exercia a minha profissão, nem todo o racional que utilizei para analisar a situação e decidir o que eu deveria fazer, me serviu para naquelas circunstâncias: duas pessoas receberam uma desgraça e nada eu poderia fazer para remediar. A única coisa que poderia fazer era esperar e acompanhá-los. Isto era o principal.

    Segunda: estou convencido que o mais importante que  já fiz na minha  vida esteve a ponto de não ocorrer, devido as coisas que  aprendi na universidade, aos conceitos do racional que aplicava na minha vida pessoal assim como faço na profissional. Ao aprender a  pensar, quase me esqueci de sentir. Hoje, não tenho dúvida alguma que devia ter subido naquele carro sem vacilar e acompanhar meu amigo ao hospital.

    Terceira: aprendi que a vida poder mudar em um instante.

    Intelectualmente todos nós  sabemos disso, mas acreditamos que os infortúnios acontecem  com os outros. Assim fazemos nossos planos e imaginamos nosso futuro como algo tão real como se não houvesse espaços para outras ocorrências. Mas ao acordarmos de manhã, esquecemos que perder o emprego, sofrer uma doença, ou cruzar com um  motorista embriagado e outras mil coisas, podem alterar este futuro em um piscar de olhos. Para alguns é necessário  viver uma tragédia para recolocar as coisas em perspectiva.

    Desde aquele dia busquei um equilíbrio entre o trabalho e a minha vida.

    Aprendi que nenhum emprego, por mais gratificante que seja, compensa perder férias, romper um casamento ou passar um dia festivo longe da família.

    E aprendi, que o mais importante da vida não é ganhar dinheiro, nem
ascender socialmente, nem receber honras. O mais importante da vida é ter tempo para cultivar uma amizade.

(Autor desconhecido)







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15 de janeiro de 2011




Eu 
estarei
 por perto 
quando 
você 
achar 
que 
tudo 
acabou.
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8 de janeiro de 2011


Com tanta coisa para sonhar





Com tanta coisa para sonhar, por que o último sonho da noite tem que ser justamente com o que eu quero esquecer?”
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Turma do Snoopy


Lucy: Você não gosta de mim, né, Schroeder?
Schroeder: Não. Na verdade eu nunca gostei de você e é provável que eu nunca venha gostar.
Lucy: Mas não vamos deixar isso atrapalhar o nosso eventual casamento não é?
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3 de dezembro de 2010


Não resistindo a você



Você chegava e sentava sutilmente ao meu lado, meu corpo logo arrepiava. Me olhava com aqueles lindo olhos e me fazia esquecer de tudo que eu não queria, tudo que me fazia mal. Sorria pra mim e meu mundo se enchia de luz. Não existia mais nada ao redor. O som da voz doce no meu ouvido me enlouquecia, sua palavras arrancavam todos os meus sorrisos. Ao menor toque já me via rendida aos seus encantos, sua mão delicada e discretamente deslizava sobre minha pele e já não era mais a razão que estava no controle, e sim o desejo. E tentada pelo pecado não resistia a você.
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O amor pode consertar sua vida, mas o amor pode partir seu coração.
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Já tentei de tudo pra você voltar. Já tentei ser mais feliz só pra fazer você chorar, não vejo resultados, só meu coração que vê a dor. Não há nada que eu possa fazer pra ter você de volta pra mim e eu sento e tento ao menos entender o que eu fiz de tão ruim, mas eu não sei, eu não sei… Onde está todo amor que eu te dei? Foi pra onde que eu não sei. Só tristeza e solidão vão ficar marcadas no coração. Nisso eu te dou razão: é impossível viver só sorrindo.
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23 de novembro de 2010


Mulheres em mim

Quantas mulheres, existem dentro de uma mesma mulher?
Quantas estrelas, cintilam na noite de um único céu?
Quantos rios, desaguam num mesmo oceano?
Quantos beijos, aguardam ansiosos, o naufrágio em uma única boca?
São Marias, Joanas, Teresas. Cada qual, esconde os seus segredos, suas paixões, suas dúvidas, seus desejos. Rugas, brotadas pelo tempo que ainda insiste em disfarçar a sua essência. Na batalha pelo prazer, eis que surgem: guerreiras, invasoras, desveladas.
Quantas delas, se perderam sem jamais terem sido notadas? Quantas, perderam seu brilho abafadas pela dor, pelos traumas, pelos desamores?! E quantas outras, ainda insistem em impor sua presença, ainda que percam a alma... Quantas mulheres ofuscam como estrelas?
 Quantas estrelas, guardam em si, uma Maria? Caminhos percorridos, tendo somente seu instinto como guia. Temores resguardados pela subtileza de um único verbo: Amar. Esperas, desvios, enganos, traições, pactos e implosões de desencontros. Mesmo em derrota, ainda lampeja a primazia de toda a sua existência: Apaixonarem-se.
Ah! Elas são bocas que não calam o desejo deste beijo. Num empurra-empurra de excelências, enroscam-se em seus membros, tropeçam em seus prazeres incontidos e absolutos, buscando ainda, o assalto primoroso desta peleja: Tornarem-se estrelas, no espectáculo do seu êxtase!
                                      (Luz&Sombra)
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28 de outubro de 2010


Aprecie

"Aprecie bem a viagem
Não há bilhete de volta!".
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25 de outubro de 2010


". . . Sou metade de mim, onde a outra parte se faz mistério.


Uma simples mulher existe que, pela imensidão de seu amor, tem um pouco de Deus, e pela constância de sua dedicação, tem muito de anjo ...
Sendo moça, pensa como uma anciã,  e sendo velha, age com as forças todas da juventude;
Quando ignorante, melhor que qualquer sábio desvenda os segredos da vida, e quando sábia, assume a simplicidade das crianças.
Se pobre, sabe enriquecer-se com a felicidade dos que ama,   e rica empobrecer-separa que seu coração não sangre ferido pelos ingratos.
Quando forte, entretanto, estremece ao choro de uma criancinha, e frágil se alheia com a bravura dos leões.
Quando viva, não lhe sabemos dar valor e à sua sombra todas a dores se apagam,  e quando morre,   tudo o que somos e tudo o que temos daríamos para vê-la de novo, e dela receber um aperto de seus braços ......  uma palavra de seus lábios ....


Autor desconhecido
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9 de outubro de 2010


Sentir e nunca ter

[...A pior forma de sentir a falta de alguém é estar sentado ao seu lado e saber que nunca a terá...]
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20 de setembro de 2010


O beijo que nos cala…




Regressas incessantemente ao lugar só nosso que conheces tão bem, através desse eterno caminho que te traz sempre para mim.
Sabes dos braços abertos que sempre te esperaram e esperam ainda… Conheces demasiado o brilho dos olhos que se fixam nos teus a cada chegada tua…
Sabes de cor todas as palavras por mim já ditas, quando no fim de tudo, sabes que o meu desejo é sussurrar que te amo.
Mas eu sei, que entenderás sempre o que sinto, se na inquietação das minhas palavras, o silêncio se fizer sentir entre a minha boca e a tua!

Autor Desconhecido
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31 de março de 2010


Passeata a favor das Pererecas Peludas


Sempre gostei de Martha Medeiros.Seus textos sobre cotidiano feminino, sobre relacionamentos, vem com pitadas de humor e inteligência e logo atrai leitores fiéis.Vocês vão ver muito por aqui, textos desta fabulosa escritora.E como não posso deixar passar a oportunidade, apresento para aqueles que não leram ainda ou para aqueles que leram e precisam ler novamente, mais um das suas magnificas crônicas, cheias de humor e exploração do universo grandioso feminino.
Boa leitura e divirtam-se.

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Depilação Feminina


Foi assim que decidi, por livre e espontânea pressão de amigas, me render à depilação na virilha. Falaram que eu ia me sentir dez quilos mais leve. Mas acho que pentelho não pesa tanto assim. Disseram que meu namorado ia amar, que eu nunca mais ia querer outra coisa. Eu imaginava que ia doer, porque elas ao menos me avisaram que isso aconteceria. Mas não esperava que por trás disso, e bota por trás nisso, havia toda uma indústria pornô-ginecológica-estética.

- Oi, queria marcar depilação com a Penélope. - Vai depilar o quê? Normal ou cavada?
Parei aí. Eu lá sabia o que seria uma virilha cavada. Mas já que era pra fazer, quis fazer direito.
- Amanhã, às...Deixa eu ver...13h?
- Ok. Marcado.

Chegou o dia em que perderia dez quilos. Almocei coisas leves, porque sabia lá o que me esperava, coloquei roupas bonitas, assim, pra ficar chique. Escolhi uma calcinha apresentável. E lá fui. Assim que cheguei, Penélope estava esperando. Moça alta, mulata, bonitona. Oba, vou ficar que nem ela, legal. Pediu que eu a seguisse até local onde o ritual seria realizado.

Saímos da sala de espera e logo entrei num longo corredor. De um lado a parede e do outro, várias cortinas brancas. Por trás delas ouvia gemidos, gritos, conversas. Uma mistura de "Calígula" com "O Albergue". Já senti um frio na barriga ali mesmo, sem desabotoar nem um botão.

Quando começou a seessão juro que cheguei a pensar em ligar para o Samu. Tudo isso buscando me concentrar em minha expressão, para fingir que era tudo supernatural.

Penélope perguntou se estava tudo bem quando me notou roxa. Eu havia esquecido de respirar. Tinha medo de que doesse mais. Tudo ótimo. E você?

Ela riu de novo como quem pensa "que garota estranha". Mas deve ter aprendido a ser simpática para manter clientes. O processo medieval continuou. A cada puxada eu tinha vontade de espancar Penélope. Lembrava de minhas amigas recomendando a depilação e imaginava que era tudo uma grande sacanagem, só pra me fazer sofrer.

Todas recomendam a todos porque se cansam de sofrer sozinhas. Quer que tire dos lábios? Não, eu quero só virilha, bigode não. Não, querida, os lábios dela aqui ó. Não, não, pára tudo. Depilar os tais grandes lábios? Putz, que idéia. Mas topei. Quem está na maca tem que se f... mesmo. Ah, arranca aí. Faz isso valer a pena, por favor. Não bastasse minha condição, a depiladora do lado invade o cafofinho de Penélope e dá uma conferida na Abigail.
- Olha, tá ficando linda essa depilação.
- Menina, mas tá cheio de encravado aqui. Olha de perto. Se tivesse sobrado algum pentelhinho, ele teria balançado com a respiração das duas. Estavam bem perto dali. Cerrei os olhos e pedi que fosse um pesadelo. "Me leva daqui, Deus, me teletransporta". Só voltei à terra quando entre uns blábláblás ouvi a palavra pinça. Vou dar uma pinçada aqui porque ficaram um pelinhos, tá? Pode pinçar, tá tudo dormente mesmo, tô sentindo nada.

Estava enganada. Senti cada picadinha daquela pinça filha da mãe arrancar cabelinhos resistentes da pele já dolorida. E quis matá-la. Mas mal sabia que o motivo para isso ainda estava por vir. Vamos ficar de lado agora?
- Hein? Deitar de lado pra fazer a parte cavada. Pior não podia ficar. Obedeci à Penélope. Deitei de ladinho e fiquei esperando novas ordens. Segura sua bunda aqui.
- Hein? Essa banda aqui de cima, puxa ela pra afastar da outra banda. Tive vontade de chorar. Eu não podia ver o que Pê via. Mas ela estava de cara para ele, o olho que nada vê. Quantos haviam visto, à luz do dia, aquela cena? Nem minha ginecologista. Quis chorar, gritar, peidar na cara dela, como se pudesse envenená-la. Fiquei pensando nela acordando à noite com um pesadelo. O marido perguntaria: Tudo bem,Pê? - Sim...Sonhei de novo com o c. de uma cliente. Mas de repente fui novamente trazida para a realidade. Senti o aconchego falso da cera quente besuntando meu Twin Peaks. Não sabia se ficava com mais medo da puxada ou com vergonha da situação. Sei que ela deve ver mil c.. por dia. Aliás, isso até alivia minha situação. Por que ela lembraria justamente do meu entre tantos? E aí me veio o pensamento: Peraí, mas tem cabelo lá? Fui impedida de desfiar o questionamento. Pê puxou a cera. Achei que a bunda tivesse ido toda embora. Num puxão só, Pê arrancou qualquer coisa que tivesse ali. Com certeza não havia nem uma preguinha pra contar a história mais. Mordia o travesseiro e grunhia ao mesmo tempo. Sons guturais, xingamentos, preces, tudo junto. Vira agora do outro lado. Porra, por que não arrancou tudo de uma vez? Virei e segurei novamente a bandinha.

E então, piora. A broaca da salinha do lado novamente abre a cortina. Penélope, empresta um chumaço de algodão? Apenas uma lágrima solitária escorreu de meus olhos. Era dor demais, vergonha demais. Aquilo não fazia sentido. Estava me depilando pra quem? Ninguém ia ver o tobinha tão de perto daquele jeito. Só mesmo Penélope. E agora a vizinha inconveniente. Terminamos. Pode virar que vou passar maquininha. Máquina de quê?! Pra deixar ela com o pêlo baixinho, que nem campo de futebol.
- Dói?
- Dói nada. Tá, passa essa coisa ai. Baixa a calcinha, por favor. Foram dois segundos de choque extremo. Baixe a calcinha, como alguém fala isso sem antes pegar no peitinho? Mas o choque foi substituído por uma total redenção. Ela viu tudo, da perereca ao fiofó. O que seria baixar a calcinha? E essa parte não doeu mesmo, foi até bem agradável.
- Prontinha. Posso passar um talco?
- Pode, vai lá, deixa a bicha grisalha. Tá linda! Pode namorar muito agora. Namorar...namorar... eu estava com sede de vingança. Admito que o resultado é bonito, lisinho, sedoso. Mas doía e incomodava demais. Queria matar minhas amigas. Queria virar feminista, morrer peluda, protestar contra isso. Queria fazer passeatas, criar uma lei antidepilação cavada. Mas me rendi! Depois que tudo passa, depois que sai o vermelho e o inchaço, fica que é um beleza! Aí me veio a dúvida: Puta merda, qual será o tempo de duração?


(Sempre achei que esse texto fosse da Martha Medeiros, pois uma adoradora da mesma, de um outro blog, tinha me dito que foi ela que tnha escrito. E assim, postei e dei os créditos para ela. Mas como fui avisada hoje por uma leitora do blog que o texto tinha outra autoria, então é meu dever tirar os créditos do texto. Mas não vou colocar como sendo do blog mencionado, porque sei que na internet sempre há essas inversões de autores e textos e nunca se acha quem é o verdadeiro dono. Vou por o marcador Outros para não ter enganos futuros...rs.)
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