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27 de setembro de 2011
Dentro de mim
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Marla Queiroz
Dentro de mim, existe um Espaço Sagrado onde guardo minhas preciosidades.
Às vezes faço uma faxina lá e mudo tudo de lugar. Não é por maldade, é só vontade de ver um outro ângulo das coisas. Eu não gosto do olhar acostumado. Não gosto de ver um objeto num objeto, porque tudo pra mim tem entidade humana. E gente me tira o fôlego, vejo belezas demais quando amo, e amo sempre e tanto.
Às vezes eu desapareço mesmo, porque fico tão cansada. Fico tão cansada daquele cenário. Fico tão cansada daquele amor. Tão absurdada pelas coisas,me exaspero. Sempre é tanto. É que vivo num derramamento espesso de sentimento. Aí eu mudo o foco que é pra não cansar o outro também. Ou, às vezes eu não quero cuidar da ferida de ninguém, tão cansada que fico. Ou aquela alegria dele merece ser comemorada com outras pessoas porque estou no meu momento pleno de esvaziamento em que até a sedução me cansa. E só a solitude pode me acalmar.
Por isso durmo antes do sono.
Por isso, às vezes, tudo tão esquisito e ausente em mim...
30 de agosto de 2011
Estou tão cansada
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Marla Queiroz
É que eu estou tão cansada. E subitamente sinto vontade de chorar.
Um choro sem tristeza, conformado, vontade de esvaziar o corpo de tanto, tanto sentimento.
Já que não era pra ser eterno, que fosse ao menos o infinito vestido de terno, bem-sucedido nas ternuras.
Porque há muita vontade de acariciar na flor dos meus dedos.
E todo esse amor desperdiçado.
27 de junho de 2011
Não restam mais feridas
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Marla Queiroz
O choro secou. Um outono doce impera com seu aconchego de amor e lucidez, suaves. E esse abraço aveludado que chegou repentinamente, num calorzinho de cuidados e curas. Não restam mais feridas. A dor perdeu seu lugar na minha rotina e foi procurar outros rumos. Tenho novos sonhos e um sono novo e profundo. Suavemente tudo mudou de ritmo e celebrei o tempo de cada novo passo. A princípio tive tanta ansiedade, porque tudo parecia um turbilhão, mas de que adianta tentar pular aprendizados? Se é de poesia que o poeta precisa, vamos a ela e não mais à repetição de uma melancolia eterna e bem aprimorada.




