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8 de janeiro de 2011


Tarde demais


Me enchi de uma coragem que até então eu desconhecia, a suportei, não tremi, não gelei, nada, absolutamente nada, nem minha voz, nem ela que é tão delicada e doce como se ainda fosse uma criança, desafinou ou tropeçou:
- Amor, tu me ama?
Ele demorou, talvez mais do que eu pudesse ter suportado, era tempo de eu ter vivido e renascido centenas de vezes. Então por um momento, algo gelou, algo deu de voar para longe, e esse algo era uma espécie de esperança e medo, ainda não respondidos:
- Te amo, mas enfim que já é tão tarde...
Depois eu fui desmoronando, até entender que o amor era algo diferente de mim. Que o amor não tem a mesma urgência, a mesma crença e gana que eu tenho de me sentir viva, ou de apenas sentir.
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22 de outubro de 2010


Quero

Já não quero ser grande, forte, inatingível.
quero ser, por hora, de um tamanho que
eu ainda me reconheça, que ainda saiba
me encontrar no passado ou um dia no futuro.
Quero ser humana, quero ser carne e osso,
quero sentir, quero tocar... quero poder
ser isso que sou na medida qualquer do tempo,
estar sempre pronta a me recompor das tempestades;
Não devo estar tão errada...
Há tanta água no oceano que se deixa evaporar
pelo único prazer de voltar a ser uma gota de chuva.
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20 de setembro de 2010


Para eternizar


Assim como você
também já tive medo
de um dia desaparecer
e não saber o que seria feito
do meu caminho
e o que ainda iria acontecer
já pensei em como o mundo
se transformaria
se fosse poesia
em vez de solidão
pensei em tudo
que perderia
mas o mais importante
eu já tinha:
teu amor que me levaria
para frente
para um dia
como as mãos
que se dão,
agora éramos as estrelas,
nós iríamos além.
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